O vídeo Épic 2014 idealiza a possível luta pela liderança da Internet, descrevendo acontecimentos desde 1989, com a criação da WWW por Tim Berners-Lee, até 2015, quando a Googlezon, uma fusão entre Google e Amazon, domina a informação.
Ao longo do documentário são-nos descritos vários produtos que se encontram disponíveis na Internet, que abarcam várias áreas da sociedade de informação, da sociedade do conhecimento.
Associadas a estas áreas, são também apresentados os grandes produtores e gestores do grande mundo que é a Internet. No entanto, consideramos importantíssimo sublinhar as implicações deste galopar tecnológico que tem vindo a causar grande polémica, uma vez que existem vantagens e desvantagens.
Depois de uma análise esmiuçada do filme, parece-nos inquietante a questão das notícias personalizadas escritas para cada usuário, baseadas no conhecimento dos seus hábitos de consumo, dos seus interesses, das suas escolhas, dos seus dados demográficos e da sua rede social.
Assim sendo, somos da opinião de que a notícia deixaria de ser um relato da realidade do mundo e passaria a ser um relato que reflectiria os interesses de cada um, e no fundo, a realidade de cada um de nós. O utilizador ficaria a tal ponto dependente da internet, que a imprensa escrita deixaria de ter razões para existir, ao correr o risco de não ir ao encontro das necessidades de cada usuário, dado que a informação não seria seleccionada, tal como se prevê que aconteça no Googlezon.
“Baudrillard considera que é devido aos progressos da tecnologia e da comunicação que se assiste a esta nova visão da realidade, ou seja, a realidade passa a ser o que nos é transmitido pelas tecnologias de informação e da comunicação, nomeadamente a televisão e o ciberespaço e é tanto mais real quanto mais intensa for a experiência, ou seja, simulada ou não.” Castro (2006:28)
Podemos ver esta ideia reforçada nas palavras de Balding na abertura da conferência “Novos meios de comunicação: a dimensão da liberdade de imprensa quando afirma que a “Internet aumentou extraordinariamente novas possibilidades para a propagação e, às vezes, para a manipulação progressiva da informação”, algo que é, difícil, quando não impossível de combater”.
Para além disso, o avanço das novas tecnologias referidas no Epic 2014, pode levar-nos a uma situação de extremo desconforto. Ao conjecturarmos a possibilidade de alguém poder entrar nas nossas casas, através de imagens por satélite, apercebemo-nos de imediato que este facto nos conduzirá a uma perda total da nossa privacidade.
Como educadores, partilhamos da opinião que se deve ter em consideração que o acesso a novas tecnologias não implica que os alunos obtenham sucesso. Ou seja, Internet não é sinónimo de sucesso, mas o acesso à rede virtual (bem conduzido) pode facilitar e enriquecer as aprendizagens e ainda estimular os alunos no processo ensino-aprendizagem. Todavia, não negligenciamos o importante papel do professor em todo este processo. Posição revista nas palavras de Masetto (2000:163), quando afirma que “Nem é preciso comentar que a riqueza desses recursos nem de longe deverá substituir a presença e a acção do professor com os alunos. Estas técnicas deverão, isto sim, colaborar para acções conjuntas do professor e alunos em busca de aprendizagem.”
Em síntese, suportamo-nos nas palavras de Univali (2005) que defende que “a utilização desses novos meios proporcionados pela tecnologia deve ocorrer em função da melhor qualidade de vida e do desenvolvimento das pessoas e das organizações, e não um fim em si mesma. Acreditamos que seu emprego deve ser canalizado para a democratização e sucesso efectivo dos processos formativos, a informação e a cultura de um modo geral, e não apenas para elitizar ou impor sofisticação nas formas de aquisição da informação e do saber”. (p. 262)
Bibliografia
CASTRO, C. (2006). A influência das tecnologias de informação e comunicação (TIC) no desenvolvimento do currículo por competências. Tese de mestrado em educação. Desenvolvimento Curricular. Braga: IEP Universidade do Minho.
MASETTO. M. (2000). Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: Moran, J., Masetto, M., BEHRENS, M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 6ª edição, Campinas: SP, Papirus
UNIVALI. V. (2005) Currículo, ensino, aprendizagem e tecnologias da informação: avanços, desdobramentos, implicações e limites para a educação superior. Revista de Estudos Curriculares, ano 3, numero 2. Lisboa: Associação Portuguesa de Estudos Curriculares
http://www.temascomunicacao.com/br/v2006/noticias, consultado em 5/11/2007
Ao longo do documentário são-nos descritos vários produtos que se encontram disponíveis na Internet, que abarcam várias áreas da sociedade de informação, da sociedade do conhecimento.
Associadas a estas áreas, são também apresentados os grandes produtores e gestores do grande mundo que é a Internet. No entanto, consideramos importantíssimo sublinhar as implicações deste galopar tecnológico que tem vindo a causar grande polémica, uma vez que existem vantagens e desvantagens.
Depois de uma análise esmiuçada do filme, parece-nos inquietante a questão das notícias personalizadas escritas para cada usuário, baseadas no conhecimento dos seus hábitos de consumo, dos seus interesses, das suas escolhas, dos seus dados demográficos e da sua rede social.
Assim sendo, somos da opinião de que a notícia deixaria de ser um relato da realidade do mundo e passaria a ser um relato que reflectiria os interesses de cada um, e no fundo, a realidade de cada um de nós. O utilizador ficaria a tal ponto dependente da internet, que a imprensa escrita deixaria de ter razões para existir, ao correr o risco de não ir ao encontro das necessidades de cada usuário, dado que a informação não seria seleccionada, tal como se prevê que aconteça no Googlezon.
“Baudrillard considera que é devido aos progressos da tecnologia e da comunicação que se assiste a esta nova visão da realidade, ou seja, a realidade passa a ser o que nos é transmitido pelas tecnologias de informação e da comunicação, nomeadamente a televisão e o ciberespaço e é tanto mais real quanto mais intensa for a experiência, ou seja, simulada ou não.” Castro (2006:28)
Podemos ver esta ideia reforçada nas palavras de Balding na abertura da conferência “Novos meios de comunicação: a dimensão da liberdade de imprensa quando afirma que a “Internet aumentou extraordinariamente novas possibilidades para a propagação e, às vezes, para a manipulação progressiva da informação”, algo que é, difícil, quando não impossível de combater”.
Para além disso, o avanço das novas tecnologias referidas no Epic 2014, pode levar-nos a uma situação de extremo desconforto. Ao conjecturarmos a possibilidade de alguém poder entrar nas nossas casas, através de imagens por satélite, apercebemo-nos de imediato que este facto nos conduzirá a uma perda total da nossa privacidade.
Como educadores, partilhamos da opinião que se deve ter em consideração que o acesso a novas tecnologias não implica que os alunos obtenham sucesso. Ou seja, Internet não é sinónimo de sucesso, mas o acesso à rede virtual (bem conduzido) pode facilitar e enriquecer as aprendizagens e ainda estimular os alunos no processo ensino-aprendizagem. Todavia, não negligenciamos o importante papel do professor em todo este processo. Posição revista nas palavras de Masetto (2000:163), quando afirma que “Nem é preciso comentar que a riqueza desses recursos nem de longe deverá substituir a presença e a acção do professor com os alunos. Estas técnicas deverão, isto sim, colaborar para acções conjuntas do professor e alunos em busca de aprendizagem.”
Em síntese, suportamo-nos nas palavras de Univali (2005) que defende que “a utilização desses novos meios proporcionados pela tecnologia deve ocorrer em função da melhor qualidade de vida e do desenvolvimento das pessoas e das organizações, e não um fim em si mesma. Acreditamos que seu emprego deve ser canalizado para a democratização e sucesso efectivo dos processos formativos, a informação e a cultura de um modo geral, e não apenas para elitizar ou impor sofisticação nas formas de aquisição da informação e do saber”. (p. 262)
Bibliografia
CASTRO, C. (2006). A influência das tecnologias de informação e comunicação (TIC) no desenvolvimento do currículo por competências. Tese de mestrado em educação. Desenvolvimento Curricular. Braga: IEP Universidade do Minho.
MASETTO. M. (2000). Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: Moran, J., Masetto, M., BEHRENS, M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 6ª edição, Campinas: SP, Papirus
UNIVALI. V. (2005) Currículo, ensino, aprendizagem e tecnologias da informação: avanços, desdobramentos, implicações e limites para a educação superior. Revista de Estudos Curriculares, ano 3, numero 2. Lisboa: Associação Portuguesa de Estudos Curriculares
http://www.temascomunicacao.com/br/v2006/noticias, consultado em 5/11/2007
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